Passos Coelho no País das Maravilhas

Vamos fazer um exercício de imaginação, boa? Então, imaginem que eu vos conto o seguinte episódio:

“O Primeiro Ministro português marcou presença no Portugal dos Pequenitos para assinalar uma data marcante. Neste evento, do qual constam diversas figuras da política portuguesa, encontra-se também a artista Joana Vasconcelos, que está a inaugurar a sua nova escultura: um bule de chá forjado em ferro, com dimensão suficiente para albergar quatro ou cinco pessoas lá dentro.

Durante a inauguração, muitos aplaudem, inclusivé o Primeiro Ministro. Este, movido pela sua notória curiosidade, aproxima-se do bule para avaliar melhor a performance da artista portuguesa. Neste impeto de curiosidade, dá conta de que existe uma porta funcional, que dá acesso à parte interior do bule. Vira-se então para Joana Vasconcelos e diz:

– Ó Joana, quer fazer-me companhia cá dentro? – Pergunta, entrando pela pequena porta, tal qual Alice no País das Maravilhas.

– Pode entrar. – Responde Joana Vasconcelos.

– Não quer entrar também? – Pergunta Passos Coelho, ao ver que a artista ficou simplesmente a observar, agarrando a porta.

Joana Vasconcelos entra no bule e ambos admiram o mundo, de dentro deste.

– Digo-lhe uma coisa. – Diz Passos Coelho, enquanto a estupefação o assola. – Isto é muito mais amplo do que parece!”

Era giro de ver, não era?

Será que a Joana Vasconcelos desenhou o Estabelecimento Prisional de Évora? Será por isso que o Sócrates não quer ir para casa; porque aquilo é muito mais amplo do que parece?

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“É assim que o país anda para a frente?”

Aqui no Inquieta(mente) prometi-vos delicacies para mente, do mais variado e saboroso que ousasse arranjar. Deste modo, face aos recentes acontecimentos que inundaram a blogosfera e que dividiram o Mundo em duas fações – aqueles que estão a favor da posição de Manuela Moura Guedes, contra aqueles que põem em causa a sua sanidade mental e intelectual -, é meu dever não abordar de todo esse assunto, ao mesmo tempo que vos transmito a minha opinião. Aliás, vou deixar que o ex-Primeiro Ministro, Santana Lopes, o faça por mim, numa situação que pode parecer dissonante em relação à atual, mas que tem tudo de semelhante e adequada.

Deixem-me apenas dizer-vos que não possuo nem afiliação partidária, nem futebolistica, pelo que não nutro qualquer sentimento em relação ao exposto. Apenas acredito que os dejá vu existem.

Celebração de Portugal na ronha

Hoje é feriado. Oficialmente é o dia de Portugal, dos portugueses, das comunidades e de Camões. Mas para mim isso é o menos, porque o que interessa é que é feriado e no feriado ninguém pensa em nada dessas coisas. Portanto, meus amigos leitores, aqui vai o melhor dos conselhos: desliguem a televisão e o rádio, optem pelo YouTube e o Spotify; vão para a praia; vão para os becos de Alfama e da Madragoa, comer sardinhas e beber imperiais; vão dar uma volta com os amigos e bebam um cafezinho com um pastel de nata e uma água das pedras; vão para o bailarico e dancem até não poderem mais; comprem um manjerico e afaguem-no com festinhas, para ele não morrer; vão para a rua e andem com um alho-porro atrás, para o martelar na cabeça de desconhecidos; façam tudo aquilo que os portugueses fazem de melhor, nesta altura. Aproveitem o dia, se o podem fazer.

Mas por favor, desliguem as televisões, porque para ouvir os ladrões e os mentirosos existem todos os outros dias do ano. Este é nosso e temos de o aproveitar!

Porque a primeira vez é a mais difícil, mas a mais gratificante

Suponham que entram num bar. Dirigem-se ao barman que está atrás do balcão, sentam-se o mais comodamente possível num daqueles bancos altos e desconfortáveis e pedem uma bebida. O barman, apesar de ser um profissional, não consegue satisfazer o vosso pedido senão souber quais os vossos gostos e acaba por vos perguntar que tipo de bebida desejam. Talvez vos mostre a carta, talvez vos apresente um rol de sugestões, mas no fundo vocês acabaram de entrar no bar, sem saber o que desejavam ao certo e a vossa mente, para se adequar o melhor possível à situação, acabou por utilizar o atalho mais lógico: pedir uma bebida.

Passa-se o mesmo aqui.

Acabaram de entrar num blog para satisfazer a vossa mente inquieta, mas não sabem o que desejam ao certo. Talvez alguns de vós desejem encontrar algo que vos faça refletir um pouco; outros talvez venham à procura de diversão; talvez haja uns quantos que simplesmente aqui vieram parar e acabaram por ficar a ler isto. Mas no final de contas, todos vocês desejam algo deste blog e cabe-me a mim misturar as ideias certas, na proporção adequada, para servir à vossa mente os mais apetitosos e deliciosos cocktails de fantasia. Podia mostrar-vos a carta ou sugerir-vos algumas especialidades da casa, mas deixo isso para os profissionais da área.

Dito isto, resta-me perguntar-vos: que tipo de cocktail a vossa mente deseja?